O SOBERANO NA MANJEDOURA Pr Luciano R. Peterlevitz–PIBS, 15/12/2024 (noite)
TEXTO: Lucas 2.1-7
Introdução
O primeiro natal foi bem diferente do nosso natal de hoje.
No primeiro natal não teve banquete. Não teve panetone, nem peru. Não teve correrias para fazer compras.
Não teve luzes, mas teve o brilho da glória de Deus ao redor dos pastores.
Naquele primeiro natal teve viagem: de Nazaré até Belém.
Olhando o primeiro natal, nós aprendemos duas ricas lições sobre Deus: 1ª) Ele é o Deus Soberano que rege a História; 2ª) Ele é o Deus que esconde a sua glória na humilde manjedoura.
Por isso, o tema da nossa mensagem: “O Soberano na manjedoura”.
O Deus Soberano que rege a História
V.1: “foi publicado um decreto de César Augusto”. César: é um título imperial, derivado de Caio Júlio César. Augusto significa “majestoso”, “o exaltado”.
César Augusto não é um nome, mas um título real. O nome dele era Caio Otávio.
Junto com Marco Antônio e Lépido, Caio Otávio formou o Segundo Triunvirato. Lépido foi deposto e mandado para o exílio. Marco Antônio se suicidou depois de ser derrotado na Batalha de Áccio em 31 a.C. Tudo isso abriu caminho para Caio Otávio governar com poder imperial. Recebeu o título de Augusto, pelo Senado (em 27 a.C.), e anos depois recebeu poderes absolutos, tornando-se o primeiro Imperador Romano.
V.2: “governador”, na verdade Quirino era líder militar (o termo grego aqui traduzido como “governador” tem o sentido de “líder”). Não era ainda governador (só ocupou essa função depois, entre 6 e 9 d.C.).
A antiga profecia de Miqueias (cerca de 700 anos antes de Cristo) diz que o Rei dos reis haveria de nascer em Belém:
“E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.” (Mq 5.2).
O problema é que Maria e José moravam em Nazaré, cerca de 100 km de Belém. Como o menino Jesus iria nascer em Belém?
É aí que entra o decreto emitido pelo Imperador César Augusto. Nenhum outro documento antigo faz menção a esse recenseamento. Provavelmente foi emitido em 8 a.C., mas considerando que a terra de Israel era bem distante de Roma, o decreto demoraria para chegar em Israel. Outro ponto: o rei Herodes enfrentava problemas políticos (ele já estava doente e seus filhos disputavam o poder), e isso fez com que o decreto chegasse na terra de Israel no ano 6 a.C., quando, de acordo com alguns cálculos(realizados no século 16), Jesus teria nascido. O decreto chegou atrasado, mas chegou no tempo certo, no tempo de Deus (“chegou o tempo”, v.6). Deus nunca chega atrasado!
Este foi “o primeiro recenseamento” (v.2), pois outro foi realizado no ano 6 d.C.
Por detrás do decreto de César Augusto está o decreto de Deus. Deus usou o decreto de Imperador Romano, levando Maria e José para Belém, para que assim fosse cumprida a profecia de Miqueias 5.2.
Deus já havia determinado que o Salvador deveria nascer em Belém, e moveu a História para cumprir os seus propósitos.
Os planos de Deus sempre vão se cumprir.
Muitas vezes ficamos chateados porque os nossos planos não dão certo. Mas os planos de Deus sempre darão certo.
O Deus que esconde sua glória na manjedoura
V.7: “Então Maria deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou o menino e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.”
V.7: “primogênito”. Isso significa que Maria teve outros filhos. Outras passagens fazem referência aos irmãos e às irmãs de Jesus (Mt 13.55-56; Mc 3.31-35).
V.7: “manjedoura”. Seria o cocho, o lugar onde se coloca a comida dos animais. Uma antiga interpretação (que remonta a Justino Mártir– cerca de 114-165 d.C.) afirmava que a manjedoura estava numa caverna ou gruta na rocha.
Entretanto, a “hospedaria” (gr. katályma), na verdade, era um quarto de hóspedes. O termo aparece em Lucas 22.11 no sentido de cenáculo (sala de jantar): “e dizei ao dono da casa: O Mestre manda perguntar-te: Onde é o aposento(katályma)no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?”
Na versão grega do AT (Septuaginta), o termo tem o sentido de “sala de jantar” em 1Sm 9.22: “Samuel levou Saul e o servo dele à sala de jantar(katályma) e lhes deu o lugar de honra entre os convidados, que eram cerca de trinta pessoas”.
Portanto, a melhor tradução de katályma é “sala” (o termo podia ser usado tanto para sala de jantar como para quarto de hóspedes). Ou seja, a sala (quarto) da casa (da família de José) estava lotado, então José e Maria ficaram num tipo de porão, um quartinho dos animais,onde estava a manjedoura.
Observam-se a simplicidade e a humildade daquele lugar. O Deus de toda a glória escondeu toda a sua glória numa manjedoura.
Quando nasceu, Jesus foi colocado numa manjedoura. Quando morreu, foi colocado numa cruz.
Filipenses 2.5-8:
5 Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus, 6 que, mesmo existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo. 7 Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos. E, reconhecido em figura humana, 8 ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.
Há uma diferença gritante entre o homem e Deus. O homem não é Deus, mas age como um deus. Deus, sendo Deus, não agiu como Deus, mas esvaziou a Si mesmo, se fez Servo, e morreu a morte de cruz. O homem quer ser servido, mas o Filho do Homem veio para servir. O homem quer receber, mas Jesus veio dar a sua vida em resgate por muitos. O homem quer a glória, o Deus da glória abriu mão de toda a sua glória.
Além da simplicidade da manjedoura, também podemos notar a importante observação que o evangelista Lucas faz no final do v.7: “porque não havia lugar para eles na hospedaria[quarto]”.
Provavelmente José estava na casa de algum familiar, mas nem ali houve lugar para Cristo. E nós, temos dado lugar para Cristo em nossas vidas?
Conclusão
O que é o Natal? Uma festa familiar, um período de viagens, uma época de compras? Essas coisas não são erradas, mas não são essas coisas que dão sentido a Cristo, mas sim Cristo é que dá sentido a essas coisas.
Essa é a mensagem do Natal: o Soberano dirige a História para cumprir seus propósitos redentores e ao mesmo tempo esconde sua glória na manjedoura; ali naquele coxo de animais estava o Verbo de Deus, que se fez carne e habitou entre nós.