A Pessoa e a obra do Espírito Santo
Pr Luciano R. Peterlevitz – Aula ministrada na EBB da Primeira Igreja Batista de Nova Odessa, em 28.07.2019.
Tema e assunto
Nessa aula, estudaremos a doutrina do Espirito Santo. Os seguintes tópicos serão abordados:
- A Pessoa do Espírito Santo.
- A divindade do Espírito Santo.
- A obra do Espírito Santo na vida de Cristo e no cristão.
- O batismo e a plenitude do Espírito.
Objetivos
Após estudar essa lição você será capaz de:
- Entender quem é o Espírito Santo
- Compreender a obra do Espírito Santo na vida do cristão.
- Perceber a importância de ter uma vida conduzida pelo Espírito Santo.
Por que estudar acerca do Espírito Santo?
Precisamos urgentemente estudar o que as Escrituras ensinam sobre a Pessoa e a obra do Espírito Santo. Nos dias de hoje, à despeito da publicação, em anos de recentes, de uma quantidade significa de livros sobre o assunto, ainda existem muitas dificuldades para a compreensão de quem é o Espírito Santo eo que Ele faz. Ele seria um ser inferior ao Pai e ao Filho? Seria meramente uma emanação de Deus, e não exatamente Deus? Seria uma manifestação do poder de Deus, ou seria um Ser igual ao Pai e ao Filho? Seria uma força impessoal? Qual é a sua obra? Desde o início da história da igreja, até os dias de hoje, tem havido muito debate em torno dessas questões.
Nos primeiros séculos da Igreja, Orígenes e Eusébio de Cesareia se referiam ao Espírito Santo como um ser de “terceira ordem”, criado pelo Pai e pelo Filho. Seguindo essa mesma linha, muitos outros cristãos antigos afirmavam que o Espírito é parecido com os anjos; ainda que superior aos anjos, o Espírito seria uma criatura, um dos “espíritos ministradores” referidos em Hebreus 1.14. Na segunda metade do século 2, surgiram os montanistas, movimento carismático que divulgava o dom de línguas e o da profecia. Para eles, os cristãos poderiam profetizar do mesmo modo os profetas que foram movidos pelo Espírito a registrar as Escrituras.
No Idade Média, os teólogos praticamente não escreveram quase nada sobre o Espírito Santo. Os reformados retomaram os antigos ensinos de Agostinho e Atanásio. Lutero, seguindo Agostinho, declarava que a infusão do “amor-graça” operada no coração do crente era obra do Espírito.[1] Já para Calvino, o ensino acerca do Espírito Santo era muito importante para a compreensão adequada da autoridade da Escritura. Para o reformador suíço, a autoridade da Escritura não está atrelada à autoridade da Igreja, como defendia a teologia medieval propagada pela Igreja Católica, mas sim ao Espírito, que inspirou os escritos proféticos e apostólicos e agora persuade o crente a entender e crer nas palavras inspiradas.[2] John Wesley, por sua vez, realçou a obra do Espirito Santo em relação à santificação.
Nos séculos 18 e 19 houve um esquecimento da doutrina do Espírito Santo. Em contrapartida, no final do século 19, reacendeu-se no seio da igreja o debate acerca da Terceira Pessoa da Trindade. Surgiram os movimentos pentecostais. O mais conhecido movimento do pentecostalismo é associado a William J. Seymour, que, em 1906, liderava os cultos na Rua Azuza, 312, em Los Angeles. Desde aquela época, até os dias de hoje, várias ondas carismáticas surgiram, enfatizando o falar em línguas estranhas, curas e profecias.
Finalmente, nota-se que, nos dias de hoje, há um despertar para os estudos acerca do Espírito Santo no meio reformado. Bons teólogos e pastores reformados têm enfatizado a obra do Espirito Santo como associada à obra de Cristo na cruz.
A Pessoa do Espírito Santo
O Espírito Santo não é uma energia ou força impessoal. Quando lemos as Escrituras, podemos notar que o Espírito é uma Pessoa. Isso significa dizer que Ele possui qualidades pessoais: inteligência, vontade e emoções.
- Inteligência. O Espírito ensina os crentes acerca das palavras de Jesus (Jo 14.26), conhece todas profundezas de Deus (1Co 2.10, 11) e concede dons à igreja (1Co 12.11).
- Vontade. O Espírito distribui os dons para a igreja “conforme quer” (1Co 12.11 – NVI).
- Emoções. A Escritura ordena para não entristecermos o Espírito (Ef 4.30; veja Is 63.10), e isso não seria possível se Ele não sentisse emoções.
O Espírito não é uma “coisa”. É uma Pessoa, um Ser, ao qual se pode (lamentavelmente) mentir (At 5.3.4), entristecer (Ef 4.30), apagar (1Ts 5.19), resistir (At 7.51), insultar (Hb 10.29) e até blasfemar (Mt 12.31; Mc 3.29). Cabe aos homens obedecê-Lo (At 10.19-21). Como uma Pessoa, o Espírito fala (At 8.29; 13.2), envia (At 13.4), ensina (Jo 14.26), testemunha (Jo 15.26), glorifica (Jo 16.14), capacita (At 1.8), guia (Rm 8.14), intercede (Rm 8.26), consola(Jo 14.16; 16.6 ,7), convence (Jo 16.8) e convida (Ap 22.17).
A divindade do Espírito Santo
Quando lemos a Bíblia, podemos encontrar claras evidências da divindade do Espírito Santo.
O Espírito Santo é identificado com Deus. Mentir ao Espírito Santo é a mesma coisa que mentir a Deus (Atos 5.3-4,9). O crente é “santuário de Deus” (1Co 3.16-17), o que significa dizer que ele é “santuário do Espírito Santo, que habita em vós” (1Co 6.19). Os termos “santuário de Deus” e “santuário do Espírito” são intercambiáveis, e isso mostra que o Espírito é Deus.
O Espírito é identificado com Adonai (um dos nomes de Deus no Antigo Testamento). O texto de Isaías 6.8-9 é citado por Paulo em Atos 28.25. No livro de Isaías, quem fala para o profeta é Adonai (Is 6.8). Mas, de acordo com Atos, quem fala para o profeta é o Espírito Santo.
Também é notável que o Espírito é identificado com Javé (o nome sagrado de Deus no Antigo Testamento). É o que se pode constatar, ao compararmos Hebreus 10.15-16 com Jeremias 31.31-34.
O Espírito possui o mesmo “nome” do Pai e do Filho (Mt 28.19). Ele está intimamente associado ao Pai e ao Filho, em 2Coríntios 13.13[14].
A Bíblia apresenta os seguintes atributos divinos do Espírito Santo:
1. Eternidade (Hebreus 9.14).
2. Onipresença (Salmos 139.7-11).
3. Santidade (Romanos 1.4).
4. Onisciência (1Coríntios 2.10).“O Espírito sonda todas as coisas”.
5.Poder (Lc 1.35; Jo 3.3 (compare com Tt 3.5, onde a obra da regeneração é atribuída a “ele” [Deus, nosso Salvador, Tt 3.4]; Rm 15.19).
6. Verdade (1Jo 5.6).
7. Vida (Rm 8.2).
8. Sabedoria (Is 40.13, 14).
As mesmas obras de Deus são atribuídas ao Espírito Santo:
1. A criação (Gn 1.1; Jó 26.13).
2. O nascimento virginal de Cristo (Mt 1.18; Lc 1.35).
3. A regeneração (Jo 3.5-8; compare com Tt 3.5 e 1Jo 4.7).
4. A ressurreição (Rm8.11; compare com Gl 1.1).
5. A inspiração das Escrituras (2Tm 3.16; 2Pe 1.21; compare com 2Rs 21.10).
6. A consolação (Jo 14.16; compare com 2Co 1.3, 4).
7. A santificação (Ez 36.27; 2Ts 2.13; compare com Fl 2.13).
A obra do Espírito Santo
A obra do Espírito Santo na vida de Jesus
O Espírito Santo agiu na vida e no ministério terreno de Jesus.
Jesus nasceu pelo Espírito Santo. A encarnação de Jesus foi uma ação sobrenatural do Espírito (Mt 1.18, 20; Lc 1.35).
O anúncio da vinda de Jesus, por João Batista, ocorreu pelo Espírito Santo. João Batista foi cheio do Espírito desde o ventre materno (Lc 1.15). Ele anunciava que o Messias haveria de batizar os crentes com o Espírito Santo (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16).
Jesus foi levado pelo Espírito para o deserto a fim de ser tentado. De acordo com Lucas 4.1, Jesus estava “cheio do Espírito Santo”, e “foi guiado pelo mesmo Espírito” para o deserto, para ser tentado por Satanás.
Jesus ensinou pelo Espírito. Ele viveu no “poder do Espírito” (Lc 4.14), e assim “ensinava nas sinagogas” (Lc 4.15). A proclamação de salvação aos oprimidos ocorreu pelo Espírito (Is 61.1-3; veja Lc 4.18-21).
Jesus expulsava demônios pelo Espírito. O fato de Jesus expulsar os demônios pelo poder do Espírito era uma prova inegável de que o Reino de Deus havia chegado (Mt 12.28).
Jesus fez milagres pelo Espírito. Pedro declara que “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo” (At 10.32).
Jesus viveu plenamente cheio do Espírito. O Senhor viveu na plenitude do Espírito (Lc 4.1), no “poder do Espírito” (Lc 4.14). Em Lucas 10.21, lemos que Ele “exultou no Espírito”. “Mesmo suas emoções se manifestavam ‘no Espírito Santo’. Essa é uma declaração de alguém plenamente cheio do Espírito”.[3]
Jesus derramou o seu sangue pelo Espírito. No dizer de Hebreus, o Senhor Jesus ofereceu-se a si mesmo como um sacrifício a Deus, como um cordeiro sem mácula, e essa obra foi realizada “pelo Espírito eterno” (Hb 9.14).
Jesus ressuscitou pelo Espírito. A ressurreição de Cristo é obra tanto do Pai como do Espírito Santo (Rm8.11; compare com Gl 1.1). Em Romanos 1.4, lemos que foi “mediante o Espírito de santidade” que Jesus foi “declarado Filho de Deus com poder, pela sua ressurreição dentre os mortos”.
A obra do Espírito Santo no cristão
A obra do Espírito é aplicar a obra de Cristo na vida do cristão. Cristo morreu na cruz, pagou nossos pecados, conquistou por nós a vida eterna. E a vida eterna não será implantada em nós até que o Espírito Santo aja poderosamente em nós.
A conversão é obra do Espírito Santo. É o Espírito que gera no ser humano a convicção do pecado e do juízo divino (Jo 16.8-11).
A regeneração é obra do Espírito. A regeneração é a implantação de uma nova natureza no ser humano. O novo nascimento é resultado de uma obra sobrenatural do Espírito Santo (Jo 3.3,5,6,8). “O Espírito é o que vivifica” (Jo 6.63; cf. Tt 3.5). “No novo nascimento, o Espírito Santo nos dá, sobrenaturalmente, uma nova vida espiritual por unir-nos a Jesus Cristo, mediante a fé”.[4]
A santificação é obra do Espírito Santo. Só Deus pode tirar o coração de pedra e implantar em nós um coração de carne disposto a obedecer ao Senhor (Ez 36.26-27). A disposição para obedecer a Deus é resultado da ação do Espírito Santo. A obediência à lei somente é possível através da ação do Espírito em nós. A santificação é obra do Espírito Santo e vem pela fé na “verdade” (2Ts 2.13). Cabe ao cristão buscar a vida no Espírito. Em Galátas 5, o apóstolo Paulo ordena: “vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne” (v.16 – NVI). E, quando o cristão vive no Espírito, o Espírito produz nele “o fruto do Espírito”: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (v.22-23).
A garantia da redenção. Fomos selados com o Espírito Santo da promessa (Ef 1.13; 4.30; veja 2Co 1.22). O Espírito é o “penhor da nossa herança” (Ef 1.14; 2Co 1.22). A presença do Espírito em nós é a garantia de que a redenção, que já se iniciou, será um dia consumada, e então poderemos usufruir da herança que o nosso Pai conquistou por nós em Cristo Jesus. Portanto, o Espírito concede segurança para o cristão.
A instrução nas palavras de Cristo é obra do Espírito Santo. Após sua morte e ressurreição, Jesus prometeu enviar o “outro Consolador”, que faria os discípulos se lembrarem de todos os ensinos de Jesus e também glorificaria a Jesus (Jo 16.13,14; 14.26).“O Espírito Santo não atrai atenção para si mesmo. Ele existe para glorificar Jesus, demonstrar a atratividade de Jesus, e não tomar o centro do palco.”[5]O Espírito ilumina nossas mentes para compreendermos a Palavra de Deus.
A capacitação para testemunhar de Cristo é obra do Espírito Santo. O Espírito concede poder para testemunhar de Cristo (At 1.8). Quando falamos em nome de Cristo, o Espírito nos ensina as coisas que devemos dizer (Lc 12.12). Jesus prometeu que seus discípulos fariam as mesmas obras que Ele, e ainda fariam obras maiores (Jo 14.12). Essas palavras foram ditas quando Jesus estava indo para o Pai, e prometendo a vinda do “outro Consolador”. Cristo teria que partir para o Pai, para que “o Consolador”pudesse vir (Jo 16.7). Na verdade, seria o próprio Cristo que faria essas obras maiores, como resultado da oração dos discípulos (Jo 14.13), e através da atuação do Espírito Santo na vida dos discípulos.
A oração de intercessão é obra do Espírito Santo. É o que lemos em Romanos 8.26,27. O Espírito nos socorre em nossas fraquezas. Nós não sabemos como orar, mas o Espírito intercede por nós com gemidos que não podem ser explicados com palavras. “Portanto, os crentes têm as certeza de que, quando não sabem como orar, o Espírito Santo intercede por eles de modo sábio para que a vontade do Senhor seja feita”.[6]
A concessão dos dons espirituais é obra do Espírito. É o Espírito que distribui os dons para cada crente (1Co 12.11), a fim de edificar a igreja (1Co 12.7; 14.5,12).
O batismo e a plenitude do Espírito
O batismo e a plenitude são duas obras distintas na vida do cristão.
O batismo do (com o/ no) Espírito Santo. No dia de Pentecostes, o Espírito foi derramado sobre o povo de Deus, conforme prometia Joel (Jl 2.28-29; veja At 2.16-20). Os crentes receberam o batismo com o Espírito (o “dom” do Espírito: At 2.28; 11.16, 17).
É preciso entender que o derramamento do Espírito Santo ocorrido no dia de Pentecostes sobre os discípulos inaugurou a era da igreja, o período escatológico conhecido como “os últimos dias” (o intervalo entre primeira vinda de Cristo e Sua segunda vinda). Nesse sentido, a experiência do Pentecostes foi única e irrepetível. Os crentes, que estavam vivendo naquele momento da história da salvação, receberam o batismo do Espírito.
Agora que a era da igreja foi inaugurada, os crentes recebem o Espírito no momento da conversão. Portanto, o batismo com o Espírito não é uma experiência posterior à conversão. É pelo batismo no Espírito que o indivíduo é inserido no Corpo de Cristo (1Co 12.13; Ef 4.4). O batismo pelo Espírito é o ato de iniciação na vida cristã. No momento que a pessoa crê em Cristo como Senhor e Salvador, ela é selada pelo Espírito da promessa (Ef 1.13; veja At 19.2). Não é possível alguém ser convertido e ao mesmo tempo não ter recebido o Espírito Santo. Como afirma Paulo em Romanos 8: “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9). Nessa passagem, o “Espírito de Cristo” é uma referência ao Espírito Santo, “o Espírito de Deus”.
A plenitude do Espírito Santo. Enquanto o batismo com o Espírito Santo ocorre uma única vez, no ato da conversão, a plenitude do Espírito, por sua vez, é uma experiência contínua, que deve ocorrer várias vezes na jornada cristã. Os crentes que estavam em Jerusalém não somente foram batizados com Espírito, mas foram também “cheios do Espírito Santo” (At 2.4). Aqueles mesmos crentes depois novamente “ficaram cheios do Espírito Santo” (At 4.31). Em Efésios 5.18, a Escritura ordena: “enchei-vos do Espírito”. Essa expressão literalmente significa “deixai-vos encher pelo Espírito”. Na língua grega, o verbo “encher” está no tempo presente, o que significa que o enchimento do Espírito não é uma experiência que ocorre uma única vez. Na verdade, trata-se de “uma apropriação contínua”.[7]
Quando os cristãos estão cheios do Espírito Santo, eles estão capacitados a pregar a Palavra com ousadia, eles estão capacitados a enfrentar as situações mais adversas para que o nome de Cristo seja conhecido (At 4.8, 31; 7.55; 13.9).
Conclusão
Nesta aula, estudamos Quem é o Espírito e Sua obra na vida de Cristo e na vida do cristão. Vimos que o Espírito é um Ser pessoal. Observamos várias passagens bíblicas que evidenciam a Sua divindade. Também vimos que o Espírito conduziu a vida e o ministério de Cristo, e também age milagrosamente sobre os cristãos, produzindo neles a vida de Cristo e capacitando-os para o ministério. Por último, estudamos o batismo do Espírito (o ato único do Espírito que inicia o cristão na nova vida em Cristo) e a plenitude do Espírito (o ato contínuo do Espírito que forma progressivamente no cristão o caráter de Cristo).
Que
nossas vidas sejam conduzidas pelo Espírito Santo.
[1]Millard J. Erickson, Teologia sistemática, p. 816.
[2]Institutas , I.7.1. Veja também os capítulos 7-9 do livro I, onde Calvino desenvolve o tema da autoridade das Escrituras. Também Institutas , I.7.2; IV.2.1,9. Veja ainda Calvin’sCommentaries, vol. 21, trad. W. Pringle (Grand Rapids: Baker, 1981), p. 242-44.
[3] Millard J. Erickson, Teologiasistemática, p. 832.
[4] John Piper, Finalmente vivos, p. 42.
[5][5] Michael Green, O Espírito Santo, São Paulo: Shedd Publicações, 2018, p. 58.
[6]Millard J. Erickson, Teologia sistemática, p. 835.
[7] John R. W. Stott, Batismo e Plenitude do Espírito Santo, 2ª edição, São Paulo: Vida Nova, 1986 (reimpressão de 1999), p. 45.