A REVELAÇÃO NATURAL E A REVELAÇÃO ESPECIAL NO SALMO 19 THE NATURAL REVELATION AND SPECIAL REVELATION IN PSALM 19

Postado em 25 de outubro de 2018 por

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THE NATURAL REVELATION AND SPECIAL REVELATION IN PSALM 19

Luciano R. Peterlevitz1

RESUMO

O Salmo 19 descreve dois modos da revelação de Deus: a “natural” (pela criação) e a “especial” (pela Escritura). A revelação natural sugere que Deus revelou seus atributos por meio do mundo criado. No entanto, a revelação natural precisa ser completada pela revelação especial, que é apresentada no Salmo 19 como a constituição dos ensinos revelados na torah (“lei”), provinda de Javé para Israel, e escrita de forma autêntica, verdadeira e confiável. O Salmo 19 apresenta um enfoque especial na revelação especial, que é descrita não somente como conceito teológico, mas também como meio através do qual um caráter íntegro e verdadeiro é produzido naquele que crê.

Palavras-chaves: Revelação. Criação. Escritura. Autenticidade.

ABSTRACT

Psalm 19 describes two forms of God’s revelation: the natural (through creation) and special (through the Scriptures). Natural revelation comprises what God revealed and His attributes through the created world. However, natural revelation needs to

1 Luciano R. Peterlevitz é Bacharel em Teologia (FTBC e FATEO/UMESP), Mestre em Ciências da Religião (Universidade Metodista de São Paulo) e Doutor em Ciências da Religião (Universidade Metodista de São Paulo). Coordenador Acadêmico da Faculdade Teológica Batista de Campinas, onde também leciona Hebraico e Antigo Testamento desde 2005. Articulista da Revista Teologia Brasileira (Edições Vida Nova). Pastor auxiliar na PIB de Nova Odessa/SP. E-mail: coordenador@teologicadecampinas.com.br

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be completed through special revelation, which Psalm 19 presents as laid out in the revealed teaching of the Torah (law), given by Yaweh to Israel, and written in an authentic, truthful and trustworthy manner. Psalm 19 presents focuses in on special revelation, which it describes not only as a theological concept but also by way of its fullness and character faith is produced.

Keywords: Revelation. Creation. Scripture. Authenticity.

INTRODUÇÃO

Existe um consenso entre os teólogos reformados de que Deus revelou-se a Si mesmo em Cristo, e sem essa revelação não há possibilidade de o homem conhecer Deus e sua vontade. E se Deus é um Deus a quem conhecemos, é porque Ele “se deu a conhecer”.2 Existem dois meios de revelação: a “natural” (pela criação) e a “especial” (pela Escritura).

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Assim, a “teologia natural” é o estudo da revelação de Deus (seu caráter e atributos) por meio do mundo criado por Ele. Tomas de Aquino, que, ao modo escolástico, demonstrou a relação de causalidade entre Deus e a criação, afirmou que o mundo criado é a assinatura de Deus.3 Para a teologia natural, mesmo aqueles que não são cristãos podem conhecer o Deus invisível pelo mundo visível, já que as maravilhas da criação são fatos que “se impõem à vista das pessoas menos instruídas e mais simples, de maneira que elas não possam nem mesmo abrir seus olhos sem que sejam obrigadas a vê-los”.4 O Sl 19, especificamente nos v. 1-6, descreve a teologia natural. De acordo com esses versos, a criação testemunha do Criador.5

É importante observar também o consenso na teologia cristã de que a autorrevelação de Deus ocorre pela natureza, mas precisa ser completada pela revelação especial em sua Palavra.6 Essa afirmativa pode ser corroborada pelos v. 7-10 do Sl 19.

A discussão dessa temática no cenário teológico atual é muito importante, pois não são poucos os teólogos e biblistas que, aderindo ao relativismo das ciências humanas, transmutaram a teologia natural na ideia de que o homem por si mesmo

2 PETERSON, Eugene H. A oração que Deus ouve: os Salmos como guia básico de oração. Trad. José Fernando Cristófalo. Brasília: Palavra, 2007. p. 27. 3 AQUINO, apud MCGRATH, Alister. Teologia sistemática, histórica e filosófica: uma introdução à teologia cristã. São Paulo: Shedd Publicações, 2005. p. 254. 4 CALVINO, apud MCGRATH, 2005, p. 256. 5 MAYS, James Luther. Psalms: interpretation, a Bible Commentary for Teaching and Preaching. Louisville: Westminster John Knox Press, 2011. p. 96. 6 Confissão de Fé de Westminster, 1:1, em HODGE, Alexander A. Confissão de fé de Westminster (Comentário). São Paulo: Os Puritanos, 1999. p. 49.

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pode experimentar o sagrado, seja por meio de estruturas religiosas (ritos e mitos), seja por meio da estética (arte).7 Nesse cenário, a “revelação especial” é recepcionada com suspeitas, sendo tratada como fruto de especulações dogmáticas construídas ao longo da história da igreja (principalmente no período pós-Reforma). Qualquer tentativa de apresentação da Escritura como inerrante e verdadeira é imediatamente rechaçada e considerada como racionalista, autoritária e absolutista.8

O objetivo do presente estudo é apresentar uma exposição exegética do Salmo 19, para não somente tecer apontamentos em direção à teologia natural, mas também notar que a revelação especial é apresentada por Davi como a constituição dos ensinos revelados na torah (“lei”). Esses ensinos provêm de Javé para Israel, e foram escritos de forma autêntica, verdadeira e confiável. Desse modo, tentar-se-á evidenciar que a revelação especial conforme compreendida pela Igreja não é uma convenção dogmática inventada por teólogos cristãos, mas é uma afirmação teológica apresentada na Bíblia Hebraica, particularmente no Salmo 19.

  1. TRADUÇÃO

Ao mestre de canto. Salmo de Davi 1 Os céus declaram9 a glória de Deus,

e o firmamento é o que anuncia10 a obra das suas mãos. 2 Um dia para outro dia emite11 uma mensagem,12

e uma noite para outra noite apresenta13 um conhecimento. 3 Não há linguagem,14 não há palavras,

e nenhuma voz deles é ouvida;15

7 Trata-se de uma radicalização do numinoso (o “inefável”) apresentado por OTTO, Rudolf. O sagrado: um estudo do elemento não-racional na ideia do divino e a sua relação com o racional. Trad. Prócoro Velasquez

9 1 o m l a S o n l a i c e p s e o ã ç a l e v e r a e l a r u t a n o ã ç a l e v e r A Filho. São Bernardo do Campo: Imprensa Metodista, 1985. No caso, radicalizou-se a seguinte afirmativa de Otto: “a linguagem está tão plena e a vida tão rica de coisas que estão tão longe da razão como dos sentidos! Elas pertencem ao domínio do místico. A religião faz parte desse domínio, terra incógnita para a razão”. OTTO, 1985, p. 63-64. 8 Veja, por exemplo, ZABATIERO, Júlio Paulo Tavares. Hermenêutica fundamentalista: uma estética do interpretar. Estudos de religião, v. 22, n. 35, 2008. p. 14-27. 9 sapar piel particípio: “declarar”, “anunciar”. 10 nagad hifil particípio: “anunciar”, “expor”, “denunciar”, “declarar”. KIRST, Nelson et al. Dicionário hebraico-português e aramaico-português. 16. ed. São Leopoldo: Sinodal; Petrópolis: Vozes, 2003. p. 149. 11 naba‘ hifil imperfeito: “emitir”, “derramar”, “borbulhar”. 12 ’omer: “mensagem”, “palavra”. 13 havah piel imperfeito: “apresentar”, “contar”, “narrar”. 14 15 ’omer: TM [Texto “mensagem”, Massorético]:

“palavra”.

~lAq [mv.nI yliB.

“e nenhuma voz deles é ouvida”. De acordo com a LXX, a frase pode ser compreendida como uma sentença relativa, subordinada aos termos anteriores: w-n ouvci. avkou,ontai ai` fwnai. auvtw/n “nas quais suas vozes não são ouvidas”.

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4 em toda a terra estende-se16 a voz deles,17 e até aos confins do mundo as suas falas. Para o sol colocou uma tenda neles, 5 e ele, como noivo que sai do seu quarto,

se regozija como herói, a percorrer a sua trajetória. 6 De numa extremidade dos céus ele sai,

e o seu percurso até a outra extremidade deles; e nada escapa ao seu calor.

7 A lei de Javé é íntegra,18 e faz voltar19 a vida;20 o testemunho de Javé é fiel, e torna sábio21 o simples.

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8 Os preceitos de Javé são retos,

e alegram22 o coração; o mandamento de Javé é claro,23 e ilumina24 os olhos. 9 O temor de Javé é puro,

e permanece25 para sempre; os juízos de Javé são verdadeiros, e todos igualmente justos. 10 São mais desejáveis do que ouro,

mais do que muito ouro refinado; e são mais doces do que o mel e o mel dos favos.

11 Também,26 o teu servo é admoestado27 por eles;

16 17 TM:

yasa’: ~Wq;

“ir”, “linha “vir para deles”. fora Seguimos ou para adiante”, aqui a LXX: talvez, fqo,ggoj aqui no auvtw/n sentido – de “estender”.

“voz deles”. 18 tamim: “íntegro”, “completo”, “perfeito”. 19 xub hifil particípio: “voltar”. 20 nepex: “vida”, “alma” 21 hakam hifil particípio: “tornar sábio”. 22 xamah piel particípio: “alegrar”. 23 bar: “claro”, “puro”, “sincero”. 24 ’or hifil particípio: “iluminar”. 25 ‘amad qal particípio: “permanecer”. 26 gam: “também”, “até”, uma conjunção enfatizante e intensificante. KIRST, 2003, p. 42. 27 zahar nifal particípio: “admoestar”, “ensinar”.

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em os guardar,28 há grande recompensa. 12 Quem há que possa discernir29 os erros?

Daqueles que são ocultos,30 inocenta-me.31 13 Também32 dos orgulhos preserva o teu servo,

para que eles não dominem33 em mim; então serei íntegro34 e inocente35 de uma grande transgressão. 14 Que sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração na tua presença, Javé, rocha minha e redentor meu!

  1. ESTRUTURA

O Salmo 19 é um hino de louvor ao Deus Criador (embora o foco esteja muito mais no cosmos já estabelecido do que no ato da criação original36) e pode ser dividido em três estrofes:

  1. 1-6: a revelação de Deus na natureza. v. 7-10: a revelação de Deus na lei. v. 11-14: o efeito da revelação na lei sobre a vida do crente. A primeira parte (v. 1-6) narra a glória de Deus; a segunda parte (v. 7-10) narra a vontade de Deus. Se a primeira parte descreve o domínio do sol no céu criado por Javé, a segunda parte descreve o domínio da lei de Javé sobre a vida do fiel.37 E a terceira parte (v. 11-14) alude à ação da revelação sobre aquele que crê nessa revelação.
  2. AUTORIA

Muitos estudiosos acreditam que o Salmo 19 é resultado da junção de duas fontes

9 1 o m l a S o n l a i c e p s e o ã ç a l e v e r a e l a r u t a n o ã ç a l e v e r A literárias distintas: uma fonte composta por um hino ao Deus criador, e outra fonte

28 xamar qal infinitivo: “guardar”, com o sufixo da terceira pessoa masculina singular. 29 bin qal imperfeito: “discernir”, “entender”. 30 satar nifal particípio: “ocultar”, “esconder”. 31 naqah piel imperativo: “inocentar”. 32 gam: “também”, “até”, uma conjunção enfatizante e intensificante. 33 maxal qal imperfeito: “dominar”, “reinar”. 34 tamam qal imperfeito: “ser íntegro”, “ser completo”. 35 naqah nifal vav consecutivo perfeito: “inocentar”. 36 WESTERMANN, Claus. Praise and Lament in the Psalms. Translated by Keith R. Crim and Richard N. Soulen. Atlanta: John Knox Press, 1981. p. 139. 37 ROSS, Allen P. A Commentary on the Psalms. Grand Rapids: Kregel Publications, 2011. v. 1 (1-41). p. 469-470.

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que se refere à “lei” (torah).38 Um redator anônimo teria compilado as duas fontes e confeccionado o texto na sua versão final.

No entanto, a inscrição sob o v. 1 (TM:39 v. 1) “ao mestre de canto. Salmo de Davi” atribui o salmo à autoria davídica. É importante notar que o Salmo 19 relaciona-se com o Salmo 18: em ambos, o autor refere-se aos mandamentos de Javé (Sl 18.21-23; 19.7-10); nesses dois salmos, nota-se a integridade da lei de Javé (hebraico tamim, 18.30 e 19.7). No Sl 19, o autor afirma que há grande recompensa em “guardar” (hebraico xamar) os mandamentos de Javé; no Sl 18, ele afirma “guardar” (hebraico xamar) esses mandamentos (18.23). Em ambos os salmos, Javé é chamado de suri (“rocha minha”) – 18.2; 19.14. Também, nesses dois salmos, o autor é chamado de “servo” (hebraico ‘ebed) de Javé (veja título do Sl 18 e o 19.11). Portanto, conforme pontuam corretamente Keil e Delitzsch, o Salmo 19 celebra a revelação de Deus na natureza e na lei, enquanto que o Salmo 18 celebra a revelação de Deus na história de Davi.40

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Assim, é possível constatar várias relações entre o Salmo 18 e o Salmo 19, e, considerando que o Salmo 18 incontestavelmente deve ser atribuído a Davi (Sl 18.50; 2Sm 22.1), pode-se concluir que a mesma afirmativa pode ser aplicada a este Salmo 19.41

  1. ANÁLISE

A palavra lamnaseah (“ao mestre de canto”) – que no TM inicia o v. 1 – é uma inscrição destinada ao dirigente do louvor, utilizada 55 vezes nos Salmos (Sl 4, 5, 6, etc.42). Na sequência, a expressão mizmor ledavid (“salmo de Davi”) também poderia ser traduzida como “salmo para Davi”, já que o sentido primordial da preposição le (

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. l

) é “para”. No entanto, como já evidenciado, o Salmo 19 é continuação do Salmo 18, que, incontestavelmente, procede de Davi.

4.1 A revelação de Deus na natureza – v. 1-6 v. 1: Os céus declaram a glória de Deus, e o firmamento é o que anuncia a obra das suas mãos.

38 Veja WEISER, Artur. Os salmos. São Paulo: Paulus, 1994. p. 141, 144. (Grande Comentário Bíblico). 39 TM: Texto Massorético. 40 KEIL, C. F.; DELITZSCH, Franz. Biblical commentary on the Old Testament: the Psalms. Grand Rapids: Eerdmans, 1955. Disponível em: <http://www.studylight.org/commentaries/kdo/view.cgi?bk=18&ch=19>. Acesso em: 12 jan. 2015. 41 WALTKE, Bruce K. et al. The Psalms as Christian Worship: An Historical Commentary. Grand Rapids: Eerdmans Publishing, 2010. p. 353. 42 Nos salmos 39, 62 e 77 o “mestre de canto” é nomeado: “Jedutum”, chamado em 1Cr 6.44 de Etã, um dos responsáveis pela música no templo de Jerusalém (1Cr 16.41,42; 1Cr 25.1-8; 2Cr 5.12).

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No TM, a poesia apresenta-se na forma de quiasmo, o que pode ser observado por uma tradução literal:

C B A A B C lae-dAbK. ~yrIP.s;m. ~yIm;Vh;

[Os céus declaram a glória de Deus] A B C C B A [;yqirh dyGIm; wydy hfe[]m;W

[e, obra de suas mãos, é o que anuncia o firmamento]. O substantivo dual xamaim (“céus”) – plurale tantum43 – está em paralelo com raqi‘a (“firmamento”). Por 17 vezes o AT apresenta essas duas palavras juntas, sendo 9 vezes em Gn 1.6-20.44 A primeira palavra, xamaim, refere-se ao espaço físico que está acima da terra, e a segunda, raqi‘a, poderia ser traduzida como “expansão”, e era considerada pelos hebreus como a abóbada45 que sustentava as águas que estavam acima dos “céus” (Gn 1.6-8).

O verbo sapar piel particípio significa “declarar”, “anunciar”. O grau piel, na língua hebraica, enfatiza a intensidade da ação. Os “céus” declaram com todo vigor a “glória de Deus”.

No v. 2, o yom (“dia”) e a laylah (“noite”) significam, respectivamente, tudo o que é visível durante o dia no céu e tudo o que visível no céu durante a noite. Trata-se de uma metonímia que se refere ao sol (“dia”) e à lua e às estrelas (“noite”). O verbo naba‘ (“emitir”) literalmente significa “derramar”, “borbulhar”, e “sugere o borbulhar irreprimível de uma fonte, e talvez a infinita variedade com a qual os dias refletem a mente do Criador”.46

O v. 3 descreve a mensagem inaudível do mundo. Não há “nenhuma voz”. A palavra qol (“voz”) apresenta aqui o sentido de “som”. Não há “som”, mas há mensagem (v. 1-2, v. 4). O sol, a lua e as estrelas são a silenciosa “Escritura dos céus”.47 Isso pode ser notado no v. 4a: qavvam (

9 1 o m l a S o n l a i c e p s e o ã ç a l e v e r a e l a r u t a n o ã ç a l e v e ; ~Wq

– “linha deles”). É possível que o termo seja uma referência à

r A

43 O substantivo xamaim – “céus” – só ocorre no plural, o que, contudo, não aponta a uma multiplicidade de “céus”, conceito que somente será desenvolvido no judaísmo tardio (2Co 12.2,4). A expressão xeme haxxamayin – “céus dos céus” – (Dt 10.14; 1Rs 8.27; Sl 148.4; Ne 9.6; 2Cr 2.5; 6.18) é um superlativo que aponta a “o imensidão cântico por dos excelência”. “céus”, à semelhança Veja RINGGREN, da expressão Helmer.

xir ~m;v

haxxirim (šāmam). – “o cântico In: BOTTERWECK, dos cânticos”, que G. Johannes; significa

RINGGREN, Helmer; FABRY, Heinz-Josef. Theological Dictionary of the Old Testament. Grand Rapids: 44 SOGGIN, William J. A.

  1. ~yIm;v

Eerdmans (šāmayim). Publisching In: JENNI, Company, Ernst; 2006. WESTERMANN, v. 15. p. 205.

Claus. Diccionario teológico: manual del Antiguo Testamento. Madrid: Ediciones Cristiandad, 1985. v. 2. col. 1211. 45 Algo que pode ser expandido ou esticado, como uma lâmina estendida a golpes de martelo. 46 KIDNER, Derek. Salmos 1-72: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2011. p. 115. (Série: Cultura Bíblica). 47 Nota de rodapé da BÍBLIA de Jerusalém. Nova edição, rev. e ampl. 5. ed. São Paulo: Sociedade Bíblica Internacional/Edições Paulus, 2002. p. 880.

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“linha” do texto, no qual contém a mensagem dos “céus”. 48 No entanto, a LXX apresenta uma melhor tradução: fqo,ggoj (“voz”). Assim, o termo originalmente poderia ser qolam (

~lAq

– “voz deles”), já que na segunda frase do v. 4 lê-se milim (“falas”) – expressão vocal.49 Então, se o v. 3 diz que não há “voz”, o v. 4, em contrapartida, afirma que a “voz deles”, suas “falas”, são ouvidas em toda a terra.

Os v. 4b-6 focalizam o xemex, “sol”. Alguns estudiosos acreditam que esses versos foram influenciados por inscrições babilônicas que se referem ao Shamash (deus sol), reconhecido nesses textos como “noivo/esposo”;50 todos os dias esse “noivo” levanta-se da linha do horizonte para percorrer sua jornada através do céu, e no final do dia volta a repousar nos braços de sua “amada” (oceano).51 Entretanto, este salmo descreve o xemex (“sol”) como parte da criação que declara a glória de Deus (v. 1).

4.2 A revelação de Deus na lei – v. 7-10

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Deus revelou sua glória na criação, mas é em Sua Palavra que Ele revela os detalhes de Sua vontade.

O v. 7a afirma que “a lei do Senhor é íntegra”. A torah é a “lei” escrita, dada por Javé por meio de Moisés aos israelitas, depois do êxodo (Dt 4.8,44; 17.11; etc52). Por extensão, torah pode-se aplicar a toda Escritura. A melhor tradução para torah é “instrução”. Não se trata, pois, de um código de leis, mas sim da instrução/ensino que procede de Javé para o seu povo.

Pela primeira vez, aparece no salmo o nome YHVH, “Javé”. O nome ’elohim (“Deus”) foi empregado na estrofe anterior, que tratava da revelação geral. O nome YHWH é empregado a partir do v. 7, que trata da revelação especial. Este nome é o nome da aliança. Se os v. 1-6 revelam a glória de Deus (’elohim), os v. 7-9 revelam a vontade de Javé (YHVH) para o Seu povo.53

O hebraico tamim (“íntegro”) significa “completo”, “inteiro/íntegro” (Sl 15.2; 19.13). A torah é completa. Ela contém toda a instrução verdadeira e necessária para a comunhão com Deus. Além disto, ela é íntegra, sem nenhum defeito, isto é, completamente

48 ROSS, 2011, p. 465. 49 KIRST, 2003, p. 127. 50 Veja PRITCHARD, James B. Ancient Near Eastern texts relating to the Old Testament. 2. ed. Princenton: Princenton University Press, 1955. p. 163. Também há vários hinos egípcios que louvam o deus Sol: veja SCHÖKEL, Luís Alonso; CARNITI, Cecília. Salmos I: Salmos 1 – 72. Tradução, introdução e comentário. Trad. João Rezende Costa. São Paulo, Paulus, 1996. p. 331. 51 WEISER, 1994, p. 143. 52 Veja as referências completas em LOSOWSKI, Gerhard. Konkordanz zum Hebräischen Alten Testament. Stuttgart: Privileg, 1958. p. 1514-1515. 53 STOTT, John. Salmos favoritos. Trad. Carlos Osvaldo Pinto. São Paulo: Abba Press, 1997. p. 24.

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infalível.54 Ela é verdadeira e completamente confiável (cf. Sl 18.30). Assim, a palavra tamim alude à suficiência da torah e, por extensão, pode-se aplicar a toda Escritura.55

A frase seguinte do v. 7a descreve o efeito da perfeição da torah: “e faz voltar a vida”. O verbo xub apresenta o sentido de “voltar”. No grau hifil, como aqui, apresenta o sentido de “restaurar”. A “alma” (nepex) é a “vida”, “fôlego”, “desejo”, “emoção”. A torah restaura o fôlego de vida daquele que está cansado espiritualmente.56 As palavras de Deus atingem a condição humana debilitada.57

É importante observar que restauração da “alma” depende da autenticidade da torah. É impossível propor restauração para a “alma” sem falar da Palavra verdadeira de Javé. A restauração depende da verdade que liberta. Essa afirmação bíblica é muito importante nos dias de hoje, em que muitas pessoas querem a cura para doenças psicossomáticas, mas quantos querem a verdade contida na Palavra de Deus?

No v. 7b, lê-se: “o testemunho do SENHOR é fiel”. O termo ‘edut (“testemunho”) também pode ser traduzido como “aliança”. No livro de Êxodo, refere-se às tábuas da lei (Êx 25.16,21; 31.7). ‘edut são os escritos que solenemente expressam a vontade de Javé; foram escritos pelos dedos do próprio Javé, e mediados por Moisés.58 O termo lembra a aliança que Deus fez com Israel no monte Sinai. A palavra “fiel” é a tradução do verbo hebraico ’aman nifal (“estabelecer-se”, “ser fiel”). No nifal, o sentido é de permanência (2Sm 7.16; 1Cr 17.23; 2Cr 6.17; Is 7.9).

Na segunda frase do v. 7b, o “simples” (hebr. peti) é alguém sem sabedoria (Pv 1.4). O substantivo provém da forma verbal pth, que significa “estar aberto”.59 Assim, o termo pode apresentar o sentido de “mente aberta”, e apresenta os “simples” como aqueles que estão abertos a aprender os ensinos da Palavra de Deus.60 A afirmação principal é que, sem Escritura, é impossível alcançar a sabedoria de Javé.

No v. 8, os piqudim (“preceitos”) e o misvah (“mandamento”) compõem a totalidade

9 1 o m l a S o n l a i c e p s e o ã ç a l e v e r a e l a r u t a n o ã ç a l e v e r A da vontade de Javé (Dt 8.1). Esses termos denotam a autoridade de Javé para prescrever ordens.

54 ALEXANDER, Joseph Addison. The Psalms: translated and explained. Grand Rapids: Baker Book House, 1977. p. 89. 55 “Here the word denotes the sufficiency of ‘Holy Scripture’ (cf. Deut 32:4)” [Aqui a palavra denota a suficiência da “Escritura Santa” (Dt 32.4)], KRAUS, Hans Joachim. Psalms 1-59: a commentary. Minneapolis: Augsburg, 1988. p. 274. 56 YATES, Kyle M. Estudos no livro dos Salmos. Trad. Waldemar W. Wey. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1959. p. 79. 57 PETERSON, 2007, p. 42-43. 58 WALTKE, 2010, p. 365. 59 WALTKE, 2010, p. 365. 60 WALTKE, 2010, p. 365.

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Os “preceitos” são adjetivados como yexarim (“retos”), palavra que denota honestidade. O “mandamento” é qualificado como “claro” (hebr. bar), termo que apresenta o sentido de “puro”, “sincero”. O “mandamento” é como um metal que, por sua pureza, irradia brilho e fulgor. Essa claridade “ilumina os olhos” do fiel, concedendo- lhe discernimento para a compreensão da vontade de Javé.

No v. 9, o yir’ah (“temor”) é uma metonímia para torah (“lei”). Na verdade, o yir’ah é o resultado da torah. “Puro” é a tradução do adjetivo hebraico tahor, um termo comumente usado em Levítico para descrever os sacrifícios “limpos/puros”, aqueles que podiam ser ofertados a Deus.61 A palavra hebraica também é empregada para se referir ao ouro puro: Êx 25.11,17,24,29,31,36; 30.3; 39.15; 1Cr 28.17; etc. Assim, a Palavra de Deus é pura, não contaminada ou adulterada. Não contém opiniões pessoais e humanas (cf. Sl 12.6).

O v. 9 ainda afirma que os “juízos de Javé são verdadeiros” e “justos”. O termo mixpat (“juízo”) é sinônimo de torah (Sl 89.30). Aqui se refere especificamente às decisões justas

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de Javé.

O v. 10 apresenta duas figuras desejáveis para os israelitas: o zahab (“ouro”) e debax (“mel”). O “ouro” é referido no texto por sua preciosidade e o “mel” porque era muito valorizado no mundo antigo, já que não existia açúcar; era um alimento importante para os israelitas que entraram na terra prometida (lembre-se da expressão “terra que mana leite e mel”). De acordo com o salmista, o zahab (“ouro”) e o debax (“mel”) são menos desejáveis do que os “juízos de Javé”. Aprendemos aqui uma lição: será que temos desejado a Palavra de Deus tal qual os homens gananciosos desejam o ouro e tal qual nosso organismo deseja o alimento? Importante: corremos atrás daquilo que amamos. Se não buscamos a verdade de Deus revelada em Sua Palavra, é porque não amamos essa Palavra.

4.3 O efeito da revelação de Deus na vida do crente – v. 11-14 Os v. 11-14 [TM: v. 12-15) compõem a terceira estrofe do Salmo 19 e enfatizam o efeito da torah sobre a vida do fiel. Do ponto de vista literário, distinguem-se dos v. 7-10, que apresentavam os mandamentos de Javé por relação de causa-efeito. Os v. 11-13 apresentam muito mais prosa do que poesia. A forma poética, sob a marca de repetições de frases, volta nos v. 13b-14.

O v. 11a inicia-se com a partícula gam (“também”, “até”). Trata-se de uma conjunção que sugere ênfase e intensidade ao que diz respeito o “admoestar” do “servo”. Este

61 ROSS, 2011, p. 480.

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verbo, zahar nifal particípio (“admoestar”), apresenta o sentido de “ensinar”. Ou seja, o importante não é só a integridade da torah (v. 7-10), mas, também, o que ela pode realizar na vida do “servo”.

É importante observar que somente a revelação especial possui a capacidade para “admoestar”. Trata-se de uma ação que a revelação natural não pode realizar. O sufixo da terceira pessoa masculina plural evidencia isso: “admoestado por eles” (ou seja, Davi é “admoestado” pelos mixpatim [“juízos”], referidos no v. 9).

No v. 11b, lê-se o verbo xamar qal infinitivo (“guardar”). Como sugere o Strong’s Hebrew, este verbo significa “reter”, “entesourar (na memória)”. A “recompensa”, por sua vez, é a “consequência” (não o alvo!) da observância dos mandamentos. Esse é o sentido do adjetivo hebraico ‘eqeb (“recompensa”).62

Essa admoestação da torah é importante porque, de acordo com o v. 12, o ser humano, por sua própria consciência, não pode “discernir/entender” (bin qal imperfeito) a natureza dos “erros”. A palavra xegi’ah (“erro”) é explicada por muitos estudiosos como referência ao pecado cometido inconscientemente, sem intenção63 (Lv 4.2-27; Nm 15.27). A tradução da Almeida revista e atualizada corrobora essa interpretação: “Absolve-me das que me são ocultas”. Essa tradução apresenta um pronome a mais, que não consta no hebraico: “das que me são ocultas”. O TM permite a colocação pronominal após o verbo naqah piel imperativo (“inocentar/absolver”), que está sufixado com a primeira pessoa do singular. No entanto, a forma verbal minnistarot (“daqueles que são ocultos”) – satar nifal particípio (“ocultar”) – não está sufixada. Assim, a seguinte tradução é sugestiva: “Daqueles que são ocultos, inocenta-me”. Surge a questão: os “erros” “são ocultos” aos olhos do infrator ou aos olhos dos outros?64 Em Lv 5.1-4 se leem algumas recomendações para os sacríficios pelo “pecado por ignorância” (Lv 4.2), que podem ser cometidos tanto inconscientemente (5.2-4) como conscientemente (5.1: trata-se de uma testemunha que

9 1 o m l a S o n l a i c e p s e o ã ç a l e v e r a e l a r u t a n o ã ç a l e v e r A sabia de um fato, mas omitiu-o para o juiz). Sobre o termo xegi’ah (“erro”) em Lv 4-5, uma explicação de R. K. Harrison parece-nos convincente, que esclarece o sentido de Sl 19.12: A tradução por ignorância [itálico do autor] é um pouco enganadora, ainda que somente porque certo grau de desobediência consciente era obviamente envolvido. Destarte,

62 ALLEN, Ronald B.

bq,[e

(‘ēqeb). In: HARRIS, R. Laird; ARCHER JR, Gleason L.; WALTKE, Bruce K. Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento. Trad. Márcio Loureiro Redondo; Luiz A. T. Sayão; 63 HAMILTON, Carlos Osvaldo Victor P.

Pinto. haygIv.

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ARCHER JR, Gleason L.; WALTKE, Bruce K. Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento. Trad. Márcio Loureiro Redondo; Luiz A. T. Sayão; Carlos Osvaldo Pinto. São Paulo: Vida Nova, 1998. p. 1524-1525. 64 Veja uma discussão sobre isso em PLUMER, William S. Psalms: a critical and expository commentary with doctrinal and practical remarks. Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1975. p. 260.

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nas transgressões mencionadas em 5:1-4, o pecado por ignorância incluiria tanto os atos conscientes da desobediência quanto transgressões cometidas como resultado de fraqueza e fragilidade.65 À semelhança do v. 11, o início do v. 13 emprega a partícula gam (“também”), que sugere, agora, ênfase e intensidade ao que diz respeito ao livramento dos zedim (“orgulhos”). A palavra hebraica zedim, a rigor, é uma descrição do homem orgulhoso,66 por isso poderia ser traduzida como “orgulhosos”.67 No entanto, aparentemente zedim apresenta-se como um tipo de personificação do orgulho, daí a tradução “orgulhos”.68 De qualquer maneira, é importante observar que a ênfase da afirmativa parece dirigir-se ao final do v. 13, para o efeito final da torah sobre a vida de Davi: “então serei íntegro”. A palavra tamam qal imperfeito (“ser íntegro”, “ser completo”) é da mesma raiz daquela utilizada para adjetivar a torah no v. 7 (tamim). Portanto, a integridade e a perfeição da torah seriam transpostas sobre Davi. Assim, Davi poderia ser livre da

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“grande transgressão”. A palavra pexa‘ refere-se a crimes/transgressões. A expressão “grande transgressão” talvez se refira a algum tipo de transgressão específica, provavelmente uma séria rebelião contra Deus, uma apostasia.69

No v. 14, “agradáveis” (rason) é um termo que normalmente ocorre no contexto sacrificial, como referência aos sacríficos “agradáveis”, e aqui no Sl 19.14 são as palavras do salmista e o meditar do seu coração que se apresentam como um sacrifício agradável a Javé.70 Nota-se a relação entre peh (“boca”) e leb (“coração”). A boca fala do que o coração está cheio (Mt 12.34). Se a palavra de Cristo habitar o coração do fiel, inevitavelmente os seus lábios estarão cheios de palavras que glorificam ao Senhor.

O salmo encerra-se com a expressão “Javé, rocha minha e redentor meu!”. Observa- se como Davi chama a Javé: suri (“rocha minha”) e go’ali (“redentor meu”). Quer dizer, não é a torah que salva, mas Javé. Em última instância, a fonte da salvação não são os mandamentos, mas Aquele que propôs os mandamentos, Javé.

65 HARRISON, R. K. Levítico: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1983 [reimpressão: 2011]. p. 55. Para João Calvino, a palavra xegi’ah refere-se a todos os pecados cometidos pelos homens que perderam “aquela sensibilidade para com o mal que ora os domina, e sendo enganados pelas fascinações da carne, são merecidamente incluídos na palavra hebraica aqui usada por Davi, a qual significa faltas ou ignorâncias. [itálico do autor]. CALVINO, João. O livro dos salmos. Trad. Valter Graciano Martins. São Paulo: Paracletos, 1999. p. 435. 66 GESENIUS, Wilhelm. Hebrew and English Lexicon in Veteris Testamenti Libros. Grand Rapids: WM B. Eerdmans Publishing Company, 1957. p. 238. 67 Traduzida como “soberbos” (ARA), no Sl 119.21,51,69,78,85,122. 68 ALEXANDER, 1977, p. 91. 69 WALTKE, 2010, p. 373. 70 KIDNER, 2011, p. 118.

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IMPLICAÇÕES

  1. O salmo 19, especialmente os v. 1-6, expressam a verdade mencionada por Paulo em Rm 1.20: Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas (Almeida Revista e Atualizada). Confrontam-se assim as correntes espiritualistas esotéricas que veneram a “Mãe Terra” e adoraram a criatura em lugar do Criador.
  2. O verdadeiro conhecimento e o real discernimento entre o que é certo e o que é errado só podem ser revelados pelo Criador. A natureza revela a glória de Deus. Mas ela por si mesma não pode revelar o plano redentor de Deus, Sua santa vontade e Seus atributos invisíveis. A tendência do homem, sem o conhecimento da revelação especial (Escritura), é perverter a revelação geral (natureza) e adorar a criação em lugar do Criador.
  3. A Palavra é autêntica. A torah (“lei”) é confiável, porque ela vem Daquele que criou a natureza. Confrontam-se assim as correntes teológicas atuais que se regem pelo relativismo humanista e negam a possibilidade da verdade na Palavra. Conforme observado na análise do Salmo 19, podemos confiar nessa instrução que procede do Senhor. Portanto, aqueles que, nesse mar atual de seitas e filosofias, estão sem esperança, não sabendo em que confiar, podem chegar diante da fonte de água que jorra da Palavra, e podem beber dessa água, tendo a certeza de que ela é potável e confiável. 4. Deixemos a Palavra confrontar e moldar nossas vidas, tal qual Davi deixou-se ser admoestado e ensinado pela torah de Javé.

REFERÊNCIAS

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